conexão

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O que ajuda a nos qualificar para aprender um conhecimento novo com um professor sobre determinado tema? Pensando nisto, fui desafiada a procurar dentro de minha personalidade as qualidades e defeitos em se entregar a um novo estudo para poder possuir este conhecimento.

Algo que sempre fui é curiosa. Desde pequena perguntava tudo aos meus pais sobre as coisas e este é um traço característico que me levou desde cedo a não me fechar em pacotes prontos de ideias e conceitos, a me abrir para ouvir assuntos diversos e permitir o crescimento. Esta é uma qualidade que serve como uma fagulha para aprender.

O que me levou a me interessar por vedanta, conhecimento da tradição védica, foi uma profunda conexão com o professor. Quando vi a chamada para um curso e o acompanhei, logo após as primeiras aulas quis entrar em um curso regular. Essa confiança que surgiu e me conectou, assim como o sentido que o conteúdo fazia, me acendeu e pude ter fé nas palavras dele e nos estudos dos textos. É como se algo em mim movida pela turma, já me apontasse o caminho e, por mais longo ou difícil que ele possa parecer, não importará, porque sei que é por ele que devo seguir e o tempo não importa. Esta qualidade que julgo ter se chama shraddha. E agradeço a Deus por ter sentido tal coisa e também por poder abri-la para todas as áreas da minha vida – na oração, no relacionamento familiar, nos exercícios de yoga, na vida profissional etc. Por exemplo, em alguns momentos em que me sinto angustiada por variados motivos, essa fé chega e acalma o meu ser, pois entendo a mutabilidade das minhas emoções do meu corpo e sei que não sou essencialmente eles, de fato.

Sinto que para entender o que o tema traz, de tamanha lógica e mesmo assim tão abstrato, é preciso algum grau de inteligência, memória e raciocínio, pois é preciso estar atento para as ideias não fugirem, se embaralharam toda e se confundirem na mente. Após um tempo, após ouvir uma aula ou assimilar algum texto, é preciso lembrar-se dele, visualizar o objetivo central e contemplar o que foi aprendido, e esta qualidade acredito possuir em um certo grau para poder adquirir o conhecimento. O nome dela é smrti. Desta forma, quando me vejo só, em algum lugar bonito e somente me ponho a contemplar, tento rever o conteúdo que sei, que apreendi, e refaço mentalmente o caminho. Quando consigo uma paz e felicidade mesmo que temporária, me sinto esplêndida e conectada.

Algo que preciso desenvolver é a força de vontade e a coragem para aplicar e viver tais ensinamentos em minha vida, sem condenações. Algumas vezes encontro dificuldades e me vejo preguiçosa e por mais que me esforce, adio atividades fortemente recompensadoras, procrastinando-as. Gosto de fazer asanas, mas não os faço com tanta regularidade; medito, porém não todos os dias, até mesmo as disciplinas do Ayurveda que são tão vitais, não andam mais muito presentes em minha rotina, nem me lembro quando foi o último panchakarma – desintoxicação. Me lembro de quando o fiz, e me sentia leve e radiante. Hoje com a correria de vida e escolhas pequenas, vejo como a habituação domina. Comodismo e piloto automático no que aparenta ser mais fácil e rápido, ou com menos esforço? Talvez, mas sei que o fato de poder escrever sobre isso me traz uma vontade que motiva a mudar tais comportamentos, sendo mais disciplinada, praticando diariamente yoga em todas as suas nuances e me qualificando para poder estar cada vez mais apta a me conhecer de verdade. Já me organizei e quero ser mais coerente com o que penso e ajo, e você?

Nessa conversa comigo mesma, amanhã inicio um poorvakarma, que antecede uma desintoxicação/purificação ayurvédica, e nos próximos posts explico os benefícios que se tratam essa limpeza física e mental do organismo. Também me foi ensinado pelo professor uma disciplina eficiente para melhorar a confiança em nós mesmos – acordar as 6 da manhã por 12 meses e fazer 12 surya namaskar para desenvolver maior virya – maior autoconfiança/força/coragem/potência. Vamos juntos praticar?

Om.

art: Nieve Waleska

Para entender a tradição Parampara de discípulo e mestre veja este artigo.

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fumaça fumaça..

Já foi elegante e charmoso, hoje já não é mais. E como se começa o vício de tragar? A vida pode estar tão sem vida, sem plenitude, difícil e incompleta. As relações mantidas já não traz prazer e alegria e o trabalho está estressante… insatisfação! Pra completar não dá pra lidar com toda essa pressão louca e situações adversas. Ai, para o mundo que eu quero descer? Nada disso. Para alguns isto é realidade e em certos momentos e aspectos realmente acontece assim conosco. Um bom alívio para isso está nos hobbies, esporte, lazer, doses de cultura, tempo com a família..mas há um descarrego em diversos vícios: tabaco, álcool, maconha, comida…Que em excesso, ou às vezes nem precisa de excessos, faz muito mal. Rapidamente este problema pode passar do nível psicológico à dependência química e assim se não há um certo nível da substância circulando pelo sangue, o cérebro viciado não funciona feliz sem a desejável química que não consta ali.

O tratamento ayurvédico depende de quão sério e há quanto tempo persiste o vício. Se for um hábito recente, é fácil parar, é só querer, realmente querer. Mas se é por exemplo um alcoolismo crônico, e este é um exemplo grande, de repente parar de uma vez se torna impossível, bem improvável; pois cria-se uma abstinência que é difícil de se lidar. Este é assunto pra outro post.

Mas frente ao tabaco há duas causas: dependência da nicotina e estresse. Em tempos de pressão e desequilíbrios emocionais, o fumante lança mão do cigarrete. Portanto: detoxificar-se com Panchakarmas e lidar com o stress é essencial. Reduzir a dose da substância gradativamente é uma solução; a menos que haja medicamentos fortes contra o vício, uma brecagem abrupta só trará conflito frente a uma síndrome de abstinência que traz mais frustração ao aflito.

Um pare. Dicas:

  • Cigarro de ervas: misture Brahmi (Bacopa moniere) + jatamansi (Nardostachys jatamansi) + pétalas de rosa (essa é a receita original – difícil de se obter); OU sálvia, camomila, hibiscus, hortelã. Precisa remover 1/3 do tabaco do finalzinho, onde se acende, e colocar este mix. Fume-o e quando sentir o tabaco, pare. Logo o desejo de fumar diminui.
  • Sobrecarregue-se. Pingue algumas gotas de brahmi ghee (em sites ayurvédicos se encontra) diretamente no cigarro. A fumaça que produz será tão forte que a vontade de tragar desaparecerá. Se tiver dificuldade em encontrar este óleo medicinal, me escreva.
  • Nasya: medicamentos nasais com brahmi ghee.
  • Chás herbais: prepare chás de camomila, maracujá, mulungu, valeriana e outras ervas ansiolíticas  e tome uma colher de chá desta mistura, bem devagar, gole por gole para aliviar o desejo.
  • Mastigue ao invés de fumar: quando pintar o desejo, mastigue frutas secas, como abacaxi com mel.
  • Exercise: vá para uma caminhada, nade, faça qualquer esporte, saia de casa e estimule-se de outra forma.
  • Meditando: para gerenciar suas tensões gaste alguma parte do seu dia com uma prática contemplativa, a que preferir. Quando o stress diminui, o desejo incômodo espontaneamente também se esvai.
  • āsanas de yoga: very helpful! A saudação ao Sol 2, sahalabhāsana, dhanurasāsana, halāsana, tadāsana e sarvangāsana.
  • Exercícios respiratórios: bhastrika prāṇāyāma e nādi śodhana (logo escrevo sobre este dois respiratórios). Para saber mais sobre eles vá em: http://www.yoga.pro.br e procure.

O importante é se sentir bem. É o que vem naturalmente. Se há essa vontade de parar, ótimo. Senão tudo bem pois tudo faz parte da ordem e as coisas acontecem em seu tempo certo!

Tudo de bom!

Namastē.