Ghee – leia-se guí.

Ou ghrtam, é uma gordura anídrica (das aulas de química, lembra-te?) feito a partir da manteiga (da vaca normalmente) pela separação e remoção da umidade e dos princípios sólidos, ou seja, o que fica é o saudável óleo animal. Substitui a manteiga e é largamente usado na culinária indiana.

Lubrifica, estimula a fome, aumenta a digestão e imunidade, rejuvenesce, promove a inteligência, a memória, a visão, promove a beleza e a aura. Na mesa, fica a dica, ponha no arroz para aumentar o Agni (ajuda na digestão e assimilação), é nutritivo, gostoso e promove Praṇa (o alento), Tejas (nosso calor sutil e inteligência) e Ojas (vigor). Diariamente em pequenas doses traz flexibilidade, lubrificando o organismo.

Interessou? FAZER O GHEE é quase uma prática espiritual, a pureza está em consonância com quem o prepara. É simples, mas tem que ter paciência e se não a tiver, é bom para praticá-la!

Vamos lá, aqueça a manteiga (sem sal e de boa qualidade) em uma panela de aço inoxidável mantendo um fogo brando (suave, o mais suave que puder) e conte com a ajuda de um difusor de calor, e espere até que ela fracione-se naturalmente em uma parte líquida e outra sólida – atenção para não queimá-la! Uma camada de espuma é formada na superfície que, ou assentará no fundo, ou você vai retirando com uma escumadeira. Quando nada mais sobe à superfície, apenas ‘traços’ de bolhas de ar são observados, o ghee está pronto – isso leva tempo. Filtre o líquido dourado ainda quente em um pedaço de musseline (tecido fino e macio) de algodão branco. O sedimento, se não tiver sido removido, deverá permanecer no fundo da panela. Guarde-o em um vidro (aquecido no forno antes do preparo, já o esteriliza) e ao esfriar ele se solidificará. Voilá.

Dê preferência à manteiga caseira orgânica – há mais ácido linoléico (ômega 6).

Medicinalmente poderoso após um ano, age como um laxativo, pacifica os 3 doshas (cuidado com excesso para kapha) e cura x enfermidades:

Feridas, queimadura e pele seca (massageando).

Aumenta a beleza (alivia rugas!) aplicado na face e narinas (gotas internas) – isto em rinite alérgica é especialmente bom.

Para intestino preso se toma 1 col. de chá com leite quente antes de dormir.

Apazigua doenças nervosas como histeria e enxaquecas.

Ajuda na extração das vitaminas A, D e E disponibilizando-as mais facilmente.

É fortificante, bom para vata.

Pela ação do ácido linoléico, inativa os agentes cancerígenos.

Na gestação nutre a mãe e o feto.

Ainda tem ações anti-diabetogênica, anti-colesterol e anti-hipertensiva.

Com pequenas doses previne a aterosclerose e, nas purificações ayurvédicas prepara o organismo pra eliminação das toxinas – snehapana.

Alerta em condições de baixo agni! Não às pessoas debilitadas, crianças pequenas (melhor a manteiga), nas diarréias, doenças respiratórias, indigestão (fica tóxico), obesidade. E, as sedentárias e os idosos devem consumi-lo em quantidade muito pequena.

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Na Índia é queimado nas lamparinas para purificação do ar e oferecido nos templos e poojas (rituais).

Um novo hábito talvez? ॐ

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