uma simples purificação caseira

7808097cf86ae8b795e16eecbedb14b1Já realizei algumas purificações do corpo que se refletiram de forma magnífica na minha mente. É uma prática muito saudável e tida como rotina anual, com pessoas que a realizam até duas vezes ao ano e outras que seguem prescrições de terapeutas e médicos de ayurveda a cada outono como prevenção ou por algum desequilíbrio ou doença específica. De qualquer forma, o objetivo deste texto é introduzir uma breve noção e possíveis benefícios que podem fazer imediatamente para sua saúde.

Nos versos iniciais que cantamos para abrir os estudos dos Yogasūtras, há um trecho que diz: yogena cittasya padena vācāṁ malaṁ śarīrasya ca vaidyakena… Aqui é colocada pelos mestres a intenção de se eliminar as impurezas da mente através do yoga, as impurezas da fala pelo canto e mantras e as impurezas do corpo através da medicina do ayurveda. Quando descobrimos através da experiência vivida e praticada o quão benéfico pode ser fazermos uma desintoxicação no organismo, ela se torna um presente e um conhecimento a se prezar e espalhar, como uma grande ferramenta que podemos usar para viver mais e melhor. Desta forma, o panchakarma (pancha: cinco; karma: ações) se revela uma sábia prescrição feita pelos acharyas (professores) e médicos (vaidyas) da medicina tradicional indiana desde sempre presente na humanidade.

Como uma medida para se purificar e limpar o organismo das toxinas físicas e mentais (ama) a primeira medida presente nas preparações dos pancakarmas, mais precisamente presente no chamado poorvakarma, consiste em adquirirmos uma dieta mais leve e seca que garanta que nosso corpo deixe de produzir toxinas, consideradas alimentos não digeridos pelo organismo e que bloqueiam os canais de ar e alimento, basicamente. Elas se acumulam no corpo e também na mente seja por serem incompatíveis com seu biotipo (dośa) ou por outros motivos como uma má digestão intrínseca (agni) e ineficiente ou hábitos não saudáveis relacionados ao horários, quantidade, tipo e qualidade. No âmbito mental, as toxinas se tornam mentais e interferem nas nossa saúde emocional, podendo causar maior tensão.

De um jeito simples, escolha um período de 7 a 10 dias para sentir seu corpo livre de alguns alimentos que podem não ser tão bons para você. Esta dieta é para ser feita somente por um determinado período. O ideal é consumir alimentos sátvicos que são os frescos, integrais, orgânicos e cheios de prāṇā (energia vital, não presente por exemplo em alimentos congelados, industrializados, requentados…). Tente você mesmo cozinhá-los e preparar as refeições com tempo, só é preciso um pouco de organização e disciplina. Vamos lá?

Esta dieta chamada de antiama, ou antitoxina, é completa e possui as proteínas, vitaminas, carboidratos e os nutrientes necessários, mesmo se não estiver acostumado a não comer carne. Ela pacifica todos os dośas. O ideal é utilizar os legumes e verduras orgânicos, as frutas não são indicadas. Ela restringe qualquer espécie de alimento de origem animal, somente o mel é permitido, ou seja ovos, carne e leite não são indicados; verduras e legumes ácidos demais e fermentativos (como batata, tomate, berinjela, rabanete, espinafre, couve-flor, repolho e pimentões) não serão utilizados; estimulantes como álcool, café, chá preto e cigarro também não; não utilize cebola, nem alho; nenhum laticínio, nem alimentos processados, como o açúcar ou nada nada cru, como as saladas. Os feijões permitidos são o mung (moyashi), azuki e lentilhas.

Lembre-se esta dieta é por tempo limitado; ela promove uma maior leveza do organismo e diminui o excesso de kapha (peso, lassidão, preguiça) que pode se agravar no inverno; assim como promove clareza mental, disposição e entusiasmo ao removermos um peso que carregamos inutilmente. Ama (toxina) é uma substância pegajosa, fria, úmida e grosseira que existe realmente no organismo que age agravando os dośas e causando possíveis doenças. Se manifesta através do cansaço, entorpecimento mental, excesso de peso, dores diversas, falta de energia etc.

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Café da manhã: ideal até 9h30.

Um chá de gengibre c/uma erva digestiva (ferver água com gengibre ralado por uns 10 min., apagar o fogo e colocar a erva digestiva, tampar e esperar uns 5 min.) e 1 ou 2 fatias de pão integral torrado com mel. Ervas digestivas: erva-doce, hortelã, erva-cidreira, camomila, manjericão entre outras.

Almoço: entre 12 -14 hs.

Kitchari, você já deve ter ouvido falar; é um arroz bem cozido (integral ou branco, se a digestão estiver muito lenta, privilegie o branco) com uma leguminosa – feijão verde (moyashi ou mung dhal), feijão azuki, lentilhas verdes; e verduras e legumes cozidos e refogados no azeite de oliva, temperados com massala. Refeição completa e integral que te satisfaz. Não tem quantidade restrita, somente sua fome a ser saciada.

A Masala é uma mistura de especiarias tais como: cominho, coentro (pode ser fresco), gengibre em pó, açafrão da terra (cúrcuma), uma pitada de pimenta do reino, noz-moscada, etc.

Vegetais: podem todos, exceto os já citados anteriormente. Sugestões: bardana, inhame, cará, agrião, rúcula, acelga, escarola, beterraba, mandioquinha, catalonha, almeirão, quiabo, cenoura, vagem, abobrinha, cabotia…

Lanche: entre 16 -17 hs.

Um chá digestivo com pão integral torrado com mel.

Jantar: ideal jantar até às 20 hs

Sopa de legumes, um caldo ou um creme. Sugestão: mandioquinha com vagem e cenoura; inhame com agrião; cabotia com gengibre; cará com abobrinhas.

Pode-se usar sal marinho (não o comum) mas não exagerar na quantidade. Ghee é super bem-vindo para refogar os legumes, mas não exagere também.

Seja seu próprio curador. Faça essa simples purificação alimentar em sua casa, preferencialmente entre a junção de duas estações. Tome a responsabilidade pela sua própria saúde, você poderá experimentar uma grande mudança nos pensamentos e nos seus sentimentos, e se apaixonar pela sua vida e pelo que é.

<3 boas escolhas, bon apetit, bons pensamentos.

Oṁ namo śri bhagavate Dhanvantarie namaḥ.

 Gostou de ficar sem carne? quer entender melhor o vegetarianismo sem julgamentos?

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descubra os óculos

Sendo este um blog sobre saúde por excelência e por excelência entende-se e precisa-se de artigos relacionados à mente, corpo e alma, aqui vai um texto sobre meditação, Vedanta e Ramana Maharṣi.

Para entender a meditação, primeiro há que se querer conhecer seu objetivo, há que se viver sua prática. O cerne da psicologia comportamental afirma que estamos condicionados, e sim, realmente estamos. Quase na maior parte de nossas vidas somos programados, re-programados e agimos e re-agimos às situações como autômatos. Muitas vezes sem aprender, sem desenvolver a consciência que nos é tão característica humanamente. Re-agir não é legal, automatismos só se for pra atividades corriqueiras como tomar banho!…Mas as mentes dos meios de comunicação, a mídia massante e cruel, sabe disso e diz exatamente como devemos proceder, o que usar e o que ser para quem agradar. Mas não precisa Ser assim… A antiga sabedoria sânscrita nos permite voar.


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O Vedanta, conhecimento contido no final dos Vedas, nas Upanishads, nos dá um vislumbre de nosso potencial ilimitado do Ser, algo que nunca imaginaríamos naturalmente. Primeiro, toda ação – karma – tem um resultado e esta ação é limitada pelo tempo e espaço, e portanto, seu resultado também o é. Nós podemos ter a ilusão de que controlamos nossos resultados das ações, mas não. Nós tendemos a achar que não iremos mais cair nesta rede, e com esse pensamento, caímos no fator de ilusão da ação. Para tanto se inicia um estudo de quem se é, do que se faz, porque e como se faz. E para quê?

Então como nos livramos desta limitação, a que estamos presos, a que o sistema nos acorrenta e que a mente nos ilude? Não faz nada. O Ser não deve ser produzido, ele deve ser REVELADO, aí está o grande pulo. Isto é Moksha – a liberação, onde não é no fazer da ação em que ela acontece, pois esta é limitada, é em seu conhecimento, porque só se pode ser educado para ser livre. .

Então, para se alcançar a liberação, o Ser livre de limitação, livre de desejos e aversões, tem que haver um ser já existente já LIVRE de limitação. Não é uma questão de fazer a ação e sim de conhecê-lo.  De se preparar a mente para a aquisição do conhecimento. Então qual a função da ação, não se faz nada? Diretamente ela não produz liberação, mas secundariamente capacita para o conhecimento, prepara a mente. E ela só pode ser preparada com a disciplina para a  contemplação, a apreciação, a meditação!


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O importante é ter uma atitude de atenção ao ponto cego da mente que condiciona e não entrar em seus jogos. Nossa mente é soMente um instrumento. O pensamento sou eu, mas eu não sou o pensamento, lembre-se disso, com a consciência.  “Busque a base de seu pensamento. É de lá que vem seu Eu. Este é o Eterno”, disse Ramana após dez anos calado, vendo a aflição de um discípulo. Os nossos apegos, os queros e não-queros, são nossos pontos cegos da mente, que não vê nada, é onde não há deliberação, e o melhor aí é escolher uma atitude dhármica – o que deve ser verdadeiramente feito. Este é sempre um bom caminho.

Master Ramana Maharsi.

Portanto a questão é SE revelar, o tema é um só – você já é o que está buscando. Assim como uma pessoa está à procura dos óculos e esqueceu-os na cabeça, e os procura por toda a parte, ignorando o que está logo acima, metáfora clássica do Vedanta Advaita. Já que você procura a vida toda algo que já está em ti mesmo, algo que já é, se joga onde já caiu.

Assim nosso ego – ahamkara – o eu fazedor, deve mudar seu foco para eu contribuinte e apreciador. É quando ele sai de cena e entra Iśwara, o Deus que se manifesta e pode ser apreciado, conhecido, contemplado. Quanto mais apreciamos Iswara, mais ahamkara sai de cena e entra como autor secundário. Mais se nos revela a beleza e ordem do mundo e assim você realiza a ação, mas qualquer que seja o resultado, ele é entregue à esta ordem cósmica. E é Ele que governa todo o universo, Ele é a razão por que simplesmente tudo acontece. Ele é este algo maior, e você pode chamá-Lo como quiser. Pai, Deus, Senhor, Alá, Jeová, Bro…e eu nesta ação aprecio, não controlo, só contribuo.

Com este sentimento de que o aham é secundário e o ator principal é outro, há uma sequência e naquele momento você está com o Todo. De maneira bem simples você pode fazer um altar e colocar velas, incensos, pedras, plantas e símbolos para este Todo. Isto basta para você. É só uma tentativa cósmica de estabelecer um contato íntimo com este Ser que não se conhecia antes, e se permitir dizer, entoar e querer conhecer sua verdadeira natureza. Que é a minha, que é a sua também.

Como uma onda desesperada chegando à beira da praia que pensa que será destruída, ela se integra novamente ao oceano todo e faz parte de algo muito maior que ela mesma nunca imaginou. Assim somos nós, cada alma, cada Jihva, que pertence à Brahma, o amor maior, a paz total, o estado de Sat-citt-ānanda, veracidade, consciência e bem-aventurança.

Om Tat Sat ॐ

Fonte: Glória Arieira e Upadeśaśaram de Ramana Maharṣi.

sede de prāṇā.

Respirar es vivir, dizem. Sabe-se que é o grande vínculo que nos une à vida e …depois, à morte.

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Os prāṇāyāmas são poderosos exercícios yogicos capazes de expandir a energia vital, o prāṇā, e atua em nossa fisiologia e respiração. Nós somos feitos de ar, energia e consciência. Ao dizer ar vital não me refiro somente ao ar material (sthūla vāyu) e sim ao ar sutil (sūkshma vāyu). Retiramos nossa energia vital dos alimentos, da água e ..do ar. A quantidade dele que circula em nosso sistema determina a vitalidade do corpo. O prāṇā nos acaricia por dentro, trazendo estados de paz.

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Para dominar a respiração devemos dar um ritmo diferente daquele estado de vigília, tornando-a mais lenta e profunda, completa, controlada, ritmada, silenciosa e nasal.. a mente está intrinsecamente relacionada à respiração e, ao controlar uma, controla-se a outra. Os estados de consciência e nossos ritmos estão conectados. Aumentado o tempo de cada respiração, aumentamos também nosso tempo real de vida.

A vitalidade e a capacidade pulmonar são amplamente maiores. O peso e a digestão são regulados e alcança-se o domínio da musculatura involuntária. Autoconhecimento, percepção clara da consciência e atuação sobre o corpo emocional são efeitos obtidos.

A respiração completa é feita utilizando 3 fases: abdominal, intercostal e clavicular. Os pulmões se enchem primeiro pela parte baixa, média e depois alta e ao esvaziar, o caminho é  inverso. Isto é básico!

Com isto, agora uma respiração bem simples e não menos essencial, a polarizada, alternada ou nādī śodhana prāṇāyāma. Inicia-se sentado, em posição confortável pra você, com a mão esquerda em jñāna mudrā (ver foto) e mão esquerda em Viṣṇu mudrā (foto). Concentre-se em sua respiração e mentalmente entoe o mantra Oṁ. Comece fechando a narina direita e inalando e exalando somente pela narina esquerda. 10 ciclos. Esta é a chandra (lua) nādī prāṇāyāma. Expire e faça uma retenção com os pulmões vazios. E comece com o outro lado. Igual. Isto é sūrya (sol) nādī prāṇāyāma. Novamente, retenção com pulmões vazios. Agora comece inalando pela esquerda e exalando pela direita; inale pela direita e exale pela esquerda, fechando as narinas com o polegar ou dedo mínimo. Este é um ciclo. Faça dez. Revigora o sistema nervoso central, o intelecto, purifica o corpo sutil e dá muita energia. Simples né! Faça diariamente, aonde estiver, com o espírito de luz em paz.. ॐ

alternando.
Prabhupada mostrando o jñāna mudrā.
viṣṇu mudrā.

“…prāṇāyāma .. remove as impurezas e permite que brilhe a luz do conhecimento” Vyāsa, grande comentarista dos Sūtras de Patañjali.

Fonte: Pedro Kupfer.

Abhyanga: abhy = amor, em sânscrito.

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É uma massagem, suave, rítmica, penetrante e deliciosa feita com óleos. Sua origem data do período védico -os Vedas são pura e rica literatura clássica religiosa e filosófica. E a massagem é a técnica mais antiga que se tem notícia para aliviar a dor da humanidade. Isso só pode ser muito bom!

O óleo mais comumente usado no Brasil é o de gergelim vegetal (thailam na Índia) que é quente e nutritivo. Nunca deve se usar o mineral, que não nutre e não penetra na pele e nos tecidos, ficando depositado ali e causando até toxina e mal. Pode-se acrescentar óleos medicados com ervas, como bala (Bacopa monniere), arnica (Arnica montana), manjistha (Rubia cordifolia), tudo depende de cada objetivo. Ou adicionar óleos essenciais como jasmim, rosa, sândalo, alecrim, gerânio, limão, o aroma que lhe apetece. Você também pode usar o ghee (prazer!) ou sarpi (manteiga clarificada, medicinal no Ayurveda) porém seu cheiro não é lá muito agradável.

Historicamente, Caraka Samhita (lê-se Charaka) bem conhecido de todo estudante de Ayurveda, mas nem sempre lido; nos fala que a (ou o, tanto faz) abhyanga deve ser feita diariamente como dinacharya ou rotina diária na vida de uma pessoa. Que os efeitos do óleo ajudam a prevenir o envelhecimento, pois hidratam a pele e todos os tecidos do corpo, sistêmicamente.
Foi feita uma pesquisa na Universidade de Ayurveda em Gujarat (Gujarat, Índia) e foi comprovado que em 4′ 16” o óleo é absorvido pelo organismo e está na raiz do osso. Ou seja, isso não é superficial!
Já uma outra fonte nos garante que ela é absorvida em apenas dois minutinhos. E que nutre todos os sete tecidos (sim, há sete tecidos para o ayurveda, os dhatus) em menos de 14 minutos. Contrária à ingestão de ervas que têm que passar pelo sistema gastrointestinal, mais lento.

Aliviando tecidos que incham, regenerando órgãos, estimulando os músculos, veias e artérias; fortalece o pulmão, aumenta a circulação e isso facilita a eliminação das excretas, os resíduos orgânicos. E como um bônus faz você se sentir confiante, jovem e renovado!

Esta técnica milenar impede que haja agravação de vata, um dos doshas. Vata (possui elementos éter e ar predominantes) quando está em excesso é responsável pela secura e rigidez, trazidas de uma pele e um sistema sem nutrição física. E como vata é predominante nos estímulos táteis localizados na pele, com a aplicação do óleo há o impedimento de sua invasão através dessa rota.

Da abhyanga entre suas dádivas estão a melhora da visão, nutrição do corpo, aumento do fogo digestivo ou agni, dá um gás para realizar exercícios físicos e traz um bom e relaxante sono além de deixar sua pele saudável e forte, assim ensinado pelo Prof. P.H. Kulkarni.

Ela deve ser feita especialmente na cabeça, pés e orelhas, pois isso evita dores de cabeça, quedas de cabelo ou embranquecimento; traz brilho facial, fortifica os órgãos e os ossos da cabeça. Isso soa estranho, fortificar os ossos da cabeça..mas imagine como nós nos enfraqueceríamos em nosso cotidiano tão louco se não tivermos o mínimo de cuidado conosco? Nos pés, que nos levam a todos os cantos freneticamente, ela diminui a rigidez, a dureza, as rachaduras e o entupimento das veias e até ajuda nas dores ciáticas (Gridhrasi) tendo também, sem duvidar, um efeito afrodisíaco!

O Asthanga Hridayam, outro dos grandes textos, sugere que seja aplicada para prevenir e curar as doenças. De maneira sucinta, cria um balanço eletroquímico; o óleo friccionado repetidamente previne a desidratação e fortifica os nervos; além de ajudar a harmonizar o campo eletromagnético (se você não acredita, tudo bem, mas ele está lá!); estimula a produção de anticorpos e com isto fortalece o sistema imune, pois friccionando as articulações em um movimento circular, a circulação sanguínea é aumentada e ajuda a secretar fluidos dos nódulos linfáticos. Isso aumenta a quantidade de proteínas, glucose, oxigênio e anticorpos envolvidos com o sistema linfático e a circulação do sangue. Ponto para nossa defesa!

Chamada também de snehana, consistindo em uma preparação para os Panchakarmas (terapias e tratamentos de desintoxicação e purificatórias) ou o próprio tratamento em certas enfermidades, como desordens do sistema nervoso, pessoas fracas, debilitadas, secas e idosas.

Ela é feita antes da swedana, uma técnica de aplicação de substâncias quentes; como calor, vapor e que causem suor; como por exemplo a boa sauna. A melhor é a vapor, não a seca. E se possível, não é adequado esquentar a cabeça, a sede de pitta (outro dosha, constituintes elementais fogo e água). Se não houver sauna, um banho quentinho é benéfico e suficiente também. O calor e a água ajudam na absorção do óleo e na liquefação das toxinas, está bem óbvio que esta massagem ajuda na detoxificação do organismo.
Tudo o que comemos, inalamos e absorvemos de nosso meio ambiente, de forma mental ou física, interna e externa, se não for bem digerido vira toxina biológica, que chamamos aqui de ama. Ela deve ser expelida, posta para fora de nosso sistema, pois entope os canais sutis e os tecidos, causando fraqueza, fadiga, sobrepeso e agrava todos os doshas e dhatus, enfim um estado subclínico de toxemia. Aí é que entra a divina abhyanga para ajudar nesta tarefa de drenar e limpar as impurezas internas, com a ajuda da linfa, que carrega os nutrientes; e do sistema circulatório e digestório que digerem e purificam o corpo.

Por ter que ser metabolizado pelo organismo e muitas vezes as pessoas não conseguem digerir esse óleo todo, quem sofre de agravação de kapha (enfim, o último dosha com seus elementos principais água e terra) como as obesas, ou que sofrem de indigestão, que acabaram de realizar panchakarmas, que tomaram purgativos ou estão com febre devem evitar receber a oleação.

abhyanga: oleação
abhyanga: oleação

Um aspecto bem importante e vital é o sentido da massagem. Sempre no dos pêlos corporais, em anuloma, sentido natural. Nunca deve ser realizada no sentido contrário, pois isso agrava vata.

Para finalizar um breve comentário dos marmas. O que são? Marmas são os pontos vitais do corpo onde as estruturas pulsam e a dor existe. São junções de prana (energia) por Susruta (autor médico de um compendio cirúrgico clássico), e os movimentos e manobras da abhyanga são baseados nesta sabedoria, que chegaram à nós pelo Atharva Veda (um dos 4 ramos dos Vedas). Uma dica é não apertar os marmas, eles devem ser massageados suavemente. Há 107 principais que relacionam aos pontos de encontro dos princípios orgânicos: músculos, vasos, ligamentos, ossos e articulações. Pontos onde prana está concentrada! A massagem atua nos marmas permitindo o equilíbrio do fluxo da energia vital.

om.