Terapia Marma, massagem & aromaterapia ayurvédicas.

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ESTE TEXTO É UM POUCO LONGO, MAS BEM NECESSÁRIO E INTERESSANTE ACERCA DE PREMISSAS BÁSICAS DE TRATAMENTO. BOA LEITURA! :)

O sistema de cura do Ayurveda combina muitas variedades de cura para o corpo, a mente e o prāna (energia vital). É abrangente e integral alcançando nossas raízes físicas, psicológicas e espirituais, nos ligando a uma consciência maior. As terapias dividem-se em métodos de tratamentos de doenças (aplicadas em um ambiente clínico com procedimentos que erradicam o desequilíbrio dos elementos) e métodos de manutenção da saúde (enriquecendo a prática do estilo de vida e rotina saudável – Dinacharya e Ritucharya).

São utilizados óleos, ervas, massagens e alguns instrumentos para estimular os marmas que são centros importantes de confluência de energia. Os marmas são constituídos de 107 pontos distribuídos em partes identificáveis de nossa anatomia e refletem processos fisiológicos e psicológicos-chave que ocorrem dentro do organismo.

Os objetivos das terapias aplicadas aos marmas visam acalmar a mente, as emoções e reduzir o estresse e, especialmente aos yogis e yoginis que queiram expandir a consciência em um nível interior, é essencial.

Alguns métodos de tratamenro são a massagem abhyanga, a aromaterapia, a técnica mardana ou de acupressão e o toque prânico ou terapêutico.

A massagem abhyanga utiliza diversas formas de pressão e movimento com as mãos. Ela se torna mais eficaz acompanhada de óleo densos como o de gergelim ou de ervas ayurvédicas ou/e brasileiras equivalentes medicadas de modo especial. É uma terapia feita basicamente com óleos. Pode-se usar também pós secos, eventualmente.

Na aromaterapia aplica-se óleos aromáticos como o sândalo ou a cânfora sobre os marmas, realizando ou não a massagem.

A Mardana consiste em uma aplicação de pressão em marmas específicos combinadas à massagem e aos aromas.

Por fim, o tratamento prânico ocorre quando o prāna é direcionado pelo toque terapêutico.

O interessante é que elas podem ser auto-aplicáveis ou podem ser realizadas em um ambiente terapêutico e podemos uní-las em uma única terapia.

As aplicações de pastas de ervas também podem ser colocadas, como as de sândalo, açafrão e gergelim sob os marmas com fins terapêuticos ou tomados internamente em forma de chás (decocções) ou comprimidos prescritos por um terapeuta ou médico ayurvédico.

 

            Conheça melhor cada parte desta terapia

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            A Massagem dos marmas com óleos

O toque terapêutico é o principal método no tratamento dos marmas. É o poder sensorial que corresponde ao elemento ar cósmico, este relacionado ao prāna ou à força cósmica da vida. O prāna do praticante afeta o marma, centro prânico de nossa energia vital que é facilmente e constantemente atingida. O prāna em um nivel mais profundo carrega a energia do amor e da consciência, o que ajuda o toque a curar a mente e o coração.

A abhyanga é o principal método de tratamento dos marmas, como já dito. Os óleos e ervas adicionados ajudam a aumentar a energia de cura em todas as regiões do corpo. Esta poderosa técnica de oleação (snehana) combina o poder do toque terapêutico com as propriedades medicinais dos óleos, ervas e aromas. A massagem do corpo abre a energia marma de maneira geral e torna marmas individuais mais acessíveis para serem tratados.

Outra abordagem utilizada pode ser somente regional, massageando a área do corpo em que o marma específico se encontra, para depois se tratar o marma de maneira mais localizada e eficaz.

Os diversos métodos possuem indicações específicas de acordo com as constituições (doshas), estações do ano, condições ambientais, doenças (vyadhi), desequilíbrios (vikruti).

Os marmas são áreas sensíveis e requerem que os toquem com cuidado, sempre. Para massagear use o polegar, que protege a força prânica da mão; ou eventualmente use os ossos dos dedos das mãos, pulso, palma ou calcanhar do pé em marmas maiores. A massagem tem duração de três a cinco minutos em cada marma. O movimento no sentido horário fortalece os marmas e órgãos internos, e o movimento anti-horário é utilizado com o objetivo de desintoxicar, reduzir o excesso de doshas ou o crescimento excessivo de tecidos.

A massagem exige o uso de óleos pesados como o gergelim (sésamo) ou de amêndoa. As qualidades emolientes e oleosas reduzem a fricção e suavizam a pele, tornando-se uma experiência agradável. Os óleos penetram nos marmas, aliviam tensões e dores e proporcionam nutrição para pele e músculos.

Esta terapia com óleos ou snehana usa os óleos para fortalecer o paciente ou remover toxinas, dependendo do óleo e quantidade aplicados.

  • Óleo de gergelim e amêndoa: natureza de aquecimento, geralmente usada para o Vata (predomínio de éter e ar), em grandes quantidades.
  • Leves e picantes: bons para o Kapha (predomínio da água e terra), como mostarda, girassol ou açafrão ou gergelim – em pequenas quantidades.
  • Natureza de resfriamento, melhores para Pitta: óleo de coco, ghee (manteiga clarificada) e óleo de girassol.

Obs.: vale ressaltar que em casos de ama (toxinas no aparelho digestivo evidenciadas na língua), resfriados, gripes ou febre e condições agudas, não deve ser realizad a abhyanga ou a quantidade de óleo deve ser mínima; pois eles suprimem o agni (fogo da digestão) e seguram as toxinas e agentes patogênicos no corpo.

Óleos e doshas:

            Vata: sésamo (gergelim), oliva, ghee e amêndoa.

Pitta: coco, girassol, açafrão e ghee.

Kapha: mostarda, açafrão, damasco, girassol e gergelim (pouco).

Óleos medicados especiais feitos na Índia são os chamados thailas (de tila = gergelim). Eles têm por base os óleos de coco ou gergelim, nos quais são misturadas ervas medicinais como sândalo, cânfora, aswagandha, bala, shatavari, brahmi, gotu kola (plantas indianas). No Brasil pode-se utilizar as plantas medicinais correspondentes, algumas como malva branca, arnica, mamona, açariçoba, calêndula, camomila, barbatimão, eucalipto, alecrim, erva-de-bicho, artemísia e tantas outras, levando-se em conta qual o objetivoque se queira do óleo: antiinflamatório, nervino, calmante, esfriante, relaxante, tonificante. As propriedades das ervas penetram no óleo e aumentam seu efeito. O modo de preparo simples indiano encontra-se no final da matéria, ha outros mais complexos. Os thailas são a melhor forma de tratar os marmas pois combinam óleos de massagem e ervas para uma ação sinérgica mais poderosa.

Pela aromaterapia, os óleos aromáticos têm efeitos potentes nos marmas, pois irradiam a influência para diferentes canais, órgãos e sistemas do corpo e da mente. Os aromas podem penetrar profundamente nos marmas e ajustar seu nível de energia e frequência. Eles reduzem os doshas em excesso e provoca as energias sutis de cura do prāna (vitalidade), tejas (radiação primária) e ojas (imunidade).

Esta é uma técnica fácil e rápida de trabalhar, feita separadamente ou como parte da massagem. Um óleo aromático pode ser aplicado antes da massagem com o intuito de abrir a energia do ponto, ou pode-se espalhá-lo após a massagem para vedar o local tratado.

O procedimento é rápido e instântaneo, bons para condições graves em que a pessoa não tem tempo para um tratamento mais longo. Pode-se usar óleos aromáticos (já prontos para aplicar) ou óleos essenciais (deve ser diluído em um óleo-base: já citados, ex: semente-de-uva). Alguns: os refrescantes como sândalo para aliviar dores, inflamações ou irritação local; outros para aquecer e estimular como a canela ou eucalipto e para o combate do frio e rigidez ou estimular a circulação; ou bálsamo para dores como o bálsamo-de-tigre vermelho (tiger balm – produto da medicina chinesa) que contém principalmente cânfora, mentol ou a gaultéria.

O ideal é massagear a região do marma de forma leve, levando em conta a orientação anterior acerca dos movimentos horário/anti-horário.

Os tipos de óleos aromáticos mais comuns são os picantes. São aquecedores e ótimos para reduzir Kapha e Vata. Os típicos são anis, manjericão, louro, cálamo, eucalipto, gengibre, hena, nos-moscada, pimenta, salva e tomilho. Os óleos de árvores coníferas em sua maioria, também o são: cedro, pinheiro, zimbro, pinho e abeto. Alguns óleos picantes são bons pra Pitta também como a cânfora, canela, cardamomo, cravo-da-índia, coentro, cominho, erva-doce, menta, agripalma, alecrim, açafrão, hortelã, açafrão-da-índia e gaultéria.

Outro tipo importante são os óleos ‘doces’, geralmente derivados de flores. Reduzem Pitta e Vata e podem aumentar Kapha. Úteis para complicações ginecológicas e agem como tônicos para o coração e sistema reprodutivo. Alguns: orquídeas, prímula-da-noite, frangipana, gardênia, madressilva, íris, jasmim, lírio, lótus, rosas e açafrão.

Alguns óleos naturais são sulfúreos em seu perfume sendo bons para o Vata e para estabilizar a consciência em condições de choque ou histeria. Alguns: alho, cebola, valeriana, jatamansi e assa-fétida (hing).

Várias combinações podem ser feitas entre ervas e óleos, aumentando seu poder e criando uma sinergia com as substâncias de cura. Fica ao seu critério.

A massagem ayurvédica é parte da terapia de desintoxicações e/ou redução (shodhana) usada para liberar toxinas nos ossos, juntas, músculos e pele e, também é parte das terapias de calor ou sudação (swedhana) com o objetivo de retirar as toxinas por meio do sangue e da pele. Mais comumente o snehana (oleação) e swedhana são usados em conjunto para a retirada do dosha por meio de métodos mais complexos terapêuticos como o panchakarma.

Deste modo, a massoterapia com óleos e aromaterapia sobre os pontos marmas são vistas como uma terapia especial ou localizada muito eficaz para problemas de dores de cabeça e sinusite, remover toxinas da região do prāna e a harmonizar seu movimento na mente e no sistema nervoso.

O uso de óleos densos como gergelim e amêndoas atuam tonificando o organismo (brimhana) e é indicado para condições de falta de peso corporal, baixo desenvolvimento de tecidos e Vata elevado. Deve ser complementado com aplicação de óleos em grande quantidade em marmas específicos e uma massagem no corpo todo. Gotas de óleo em várias regiões marma como no meio da testa (shirodhara) também pode ser útil. Enemas (bastis) com óleo de gergelim e infusão (chá) de erva-doce por exemplo são poderosos também por atuarem diretamente no local de agravação do dosha Vata (cólon).

Os condimentos e óleos aromáticos picantes fazem parte de outro tipo de terapia – a de redução (langhana) indicada para condições de excesso de peso, Kapha elevado e ama. É parte da terapia shamana que objetiva aumentar o poder digestivo (ou agni) para queimar toxinas. Ajuda na redução de peso, estimula a digestão e desintoxica ao utilizar os marmas adequados.

  1. Mardana (acupressão)

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É a aplicação de pressão sobre os marmas, especialmente os menores, onde a energia está concentrada em desequílibrio. A pressão é feita com os dedos médio e indicador, principalmente e é usada nos marmas da cabeça ou dos membros (braços e pernas). Ela é aplicada em pontos doloridos ou sensíveis (a menos que estejam feridos) até que a dor e a tensão sejam liberadas. Pode-se usar o polegar e os cotovelos em marmas maiores.

Método:

  • Encontre a região marma respectiva, aplique uma pressão constante e moderada, começando de forma lenta e gentil e aos poucos vá aumentando a força. Use um movimento circular no sentido horário para fortalecer/tonificar os órgãos e tecidos internos. E o sentido circular anti-horário para reduzir doshas ou tecidos em excesso.
  • Continue a aplicar a pressão por três a cinco minutos, até que diminua a dor. Massageie suavemente a área para dispersar qualquer tensão.

As mesmas orientações quanto ao óleo e aromas são indicadas aqui, salientando que os tipos Vata são beneficiados com óleos aromáticos de cálamo ou canela; Pitta os de sândalo ou cravo-da-índia e Kapha os estimulantes como a cânfora, a canela e o eucalipto. Pode-se utilizar a massagem completa conjuntamente à acupressão.

  1. A cura prânica (também chamada de Prana Chikitsa)

Consiste em nada menos do que usar seu próprio prāna sobre o ponto marma de quem recebe a terapia. Em zonas marmas maiores como o coração ou o umbigo a pessoa pode simplesmente colocar a palma das mãos acima do marma ou a alguns centímetros com o objetivo de trazer a energia prânica positiva e dispersar a energia prânica negativa, ou tocar o marma e transmitir pelo toque o prāna.

O melhor também é direcionar o prāna junto à sua respiração, projetando uma vitalidade positiva junto à sua inalação e retirando a energia negativa junto à sua exalação. Ela pode ser potencializada com o uso de mantras, métodos de pratyahara (um dos 8 ramos yoguicos), cores, pedras e, naturalmente, o fluxo positivo do prāna do terapeuta à pessoa.

            Como fazer um óleo medicado, de maneira simples:

Escolha as ervas medicinais com as quais quer medicar o óleo (pode ser mais de uma), escolha o óleo-base (pode ser de gergelim, coco, semente de uva, oliva, amêndoas, ambos de origem vegetal, orgânico se possível).

Faça uma decocção (ferver as plantas com água) na proporção de 1:16 partes de erva e água, respectivamente, reduzindo-a à quarta parte, ou seja, se ferver 1 litro de água e colocar o equivalente a 1/16 da planta in natura ou seca (se for seca, em maior quantidade), deixe a mistura reduzir até 250ml da decocção. Após coar, misture o mesmo volume de óleo ou ghee, fervendo até reduzir à metade, o qual irá evaporar toda a água. Assim você terá um óleo medicado feito em casa.

Para um maior e essencial conhecimento da localização, função, sintomas e tratamento de cada marma verifique o livro de Dr. Avinash Lele, Dr. David Frawley e Dr. Subhash Ranade: Ayurveda e a Terapia Marma: pontos de energia no tratamento por meio da ioga. (dica de livro).

 

Por: Pollyana Degan

Fontes: LELE, Avinash et al. Ayurveda e a Terapia Marma: pontos de energia no tratamento por meio da ioga. 2 ed. São Paulo: Madras, 2009, p. 63-95.

D’ÂNGELO, Edson; CÔrtes, Janner Rangel. Ayurveda: A Ciência da Longa Vida. São Paulo: Madras, 2008.

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Abhyanga: abhy = amor, em sânscrito.

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É uma massagem, suave, rítmica, penetrante e deliciosa feita com óleos. Sua origem data do período védico -os Vedas são pura e rica literatura clássica religiosa e filosófica. E a massagem é a técnica mais antiga que se tem notícia para aliviar a dor da humanidade. Isso só pode ser muito bom!

O óleo mais comumente usado no Brasil é o de gergelim vegetal (thailam na Índia) que é quente e nutritivo. Nunca deve se usar o mineral, que não nutre e não penetra na pele e nos tecidos, ficando depositado ali e causando até toxina e mal. Pode-se acrescentar óleos medicados com ervas, como bala (Bacopa monniere), arnica (Arnica montana), manjistha (Rubia cordifolia), tudo depende de cada objetivo. Ou adicionar óleos essenciais como jasmim, rosa, sândalo, alecrim, gerânio, limão, o aroma que lhe apetece. Você também pode usar o ghee (prazer!) ou sarpi (manteiga clarificada, medicinal no Ayurveda) porém seu cheiro não é lá muito agradável.

Historicamente, Caraka Samhita (lê-se Charaka) bem conhecido de todo estudante de Ayurveda, mas nem sempre lido; nos fala que a (ou o, tanto faz) abhyanga deve ser feita diariamente como dinacharya ou rotina diária na vida de uma pessoa. Que os efeitos do óleo ajudam a prevenir o envelhecimento, pois hidratam a pele e todos os tecidos do corpo, sistêmicamente.
Foi feita uma pesquisa na Universidade de Ayurveda em Gujarat (Gujarat, Índia) e foi comprovado que em 4′ 16” o óleo é absorvido pelo organismo e está na raiz do osso. Ou seja, isso não é superficial!
Já uma outra fonte nos garante que ela é absorvida em apenas dois minutinhos. E que nutre todos os sete tecidos (sim, há sete tecidos para o ayurveda, os dhatus) em menos de 14 minutos. Contrária à ingestão de ervas que têm que passar pelo sistema gastrointestinal, mais lento.

Aliviando tecidos que incham, regenerando órgãos, estimulando os músculos, veias e artérias; fortalece o pulmão, aumenta a circulação e isso facilita a eliminação das excretas, os resíduos orgânicos. E como um bônus faz você se sentir confiante, jovem e renovado!

Esta técnica milenar impede que haja agravação de vata, um dos doshas. Vata (possui elementos éter e ar predominantes) quando está em excesso é responsável pela secura e rigidez, trazidas de uma pele e um sistema sem nutrição física. E como vata é predominante nos estímulos táteis localizados na pele, com a aplicação do óleo há o impedimento de sua invasão através dessa rota.

Da abhyanga entre suas dádivas estão a melhora da visão, nutrição do corpo, aumento do fogo digestivo ou agni, dá um gás para realizar exercícios físicos e traz um bom e relaxante sono além de deixar sua pele saudável e forte, assim ensinado pelo Prof. P.H. Kulkarni.

Ela deve ser feita especialmente na cabeça, pés e orelhas, pois isso evita dores de cabeça, quedas de cabelo ou embranquecimento; traz brilho facial, fortifica os órgãos e os ossos da cabeça. Isso soa estranho, fortificar os ossos da cabeça..mas imagine como nós nos enfraqueceríamos em nosso cotidiano tão louco se não tivermos o mínimo de cuidado conosco? Nos pés, que nos levam a todos os cantos freneticamente, ela diminui a rigidez, a dureza, as rachaduras e o entupimento das veias e até ajuda nas dores ciáticas (Gridhrasi) tendo também, sem duvidar, um efeito afrodisíaco!

O Asthanga Hridayam, outro dos grandes textos, sugere que seja aplicada para prevenir e curar as doenças. De maneira sucinta, cria um balanço eletroquímico; o óleo friccionado repetidamente previne a desidratação e fortifica os nervos; além de ajudar a harmonizar o campo eletromagnético (se você não acredita, tudo bem, mas ele está lá!); estimula a produção de anticorpos e com isto fortalece o sistema imune, pois friccionando as articulações em um movimento circular, a circulação sanguínea é aumentada e ajuda a secretar fluidos dos nódulos linfáticos. Isso aumenta a quantidade de proteínas, glucose, oxigênio e anticorpos envolvidos com o sistema linfático e a circulação do sangue. Ponto para nossa defesa!

Chamada também de snehana, consistindo em uma preparação para os Panchakarmas (terapias e tratamentos de desintoxicação e purificatórias) ou o próprio tratamento em certas enfermidades, como desordens do sistema nervoso, pessoas fracas, debilitadas, secas e idosas.

Ela é feita antes da swedana, uma técnica de aplicação de substâncias quentes; como calor, vapor e que causem suor; como por exemplo a boa sauna. A melhor é a vapor, não a seca. E se possível, não é adequado esquentar a cabeça, a sede de pitta (outro dosha, constituintes elementais fogo e água). Se não houver sauna, um banho quentinho é benéfico e suficiente também. O calor e a água ajudam na absorção do óleo e na liquefação das toxinas, está bem óbvio que esta massagem ajuda na detoxificação do organismo.
Tudo o que comemos, inalamos e absorvemos de nosso meio ambiente, de forma mental ou física, interna e externa, se não for bem digerido vira toxina biológica, que chamamos aqui de ama. Ela deve ser expelida, posta para fora de nosso sistema, pois entope os canais sutis e os tecidos, causando fraqueza, fadiga, sobrepeso e agrava todos os doshas e dhatus, enfim um estado subclínico de toxemia. Aí é que entra a divina abhyanga para ajudar nesta tarefa de drenar e limpar as impurezas internas, com a ajuda da linfa, que carrega os nutrientes; e do sistema circulatório e digestório que digerem e purificam o corpo.

Por ter que ser metabolizado pelo organismo e muitas vezes as pessoas não conseguem digerir esse óleo todo, quem sofre de agravação de kapha (enfim, o último dosha com seus elementos principais água e terra) como as obesas, ou que sofrem de indigestão, que acabaram de realizar panchakarmas, que tomaram purgativos ou estão com febre devem evitar receber a oleação.

abhyanga: oleação
abhyanga: oleação

Um aspecto bem importante e vital é o sentido da massagem. Sempre no dos pêlos corporais, em anuloma, sentido natural. Nunca deve ser realizada no sentido contrário, pois isso agrava vata.

Para finalizar um breve comentário dos marmas. O que são? Marmas são os pontos vitais do corpo onde as estruturas pulsam e a dor existe. São junções de prana (energia) por Susruta (autor médico de um compendio cirúrgico clássico), e os movimentos e manobras da abhyanga são baseados nesta sabedoria, que chegaram à nós pelo Atharva Veda (um dos 4 ramos dos Vedas). Uma dica é não apertar os marmas, eles devem ser massageados suavemente. Há 107 principais que relacionam aos pontos de encontro dos princípios orgânicos: músculos, vasos, ligamentos, ossos e articulações. Pontos onde prana está concentrada! A massagem atua nos marmas permitindo o equilíbrio do fluxo da energia vital.

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