Especiarias, vacas, pujas e templos, ayurveda e pessoas e mais pessoas, que não acabam mais.

Quando fazia Naturologia, curso de ensino superior na área das terapias naturais (cristais, cores e ervas..essas coisas naturebas, como dizem quem não conhece bem o assunto) na Anhembi, tive aulas de Ayurveda. Achei muito interessante, já na época; suas terapias, as ervas, as massagens, dietas e a facilidade, embora complexa em um começo, de suas ‘teorias’ e lógica de que tudo se encaixava, era causal e proposital. Havia explicações às diferentes maneiras de ser das pessoas e da dinâmica das doenças e desequilíbrios de nós, seres humanos, e de como nos inter relacionamos com o meio, consigo e com os outros. Comecei então um curso de formação para terapeutas, em uma escola bem renomada chamada Dhanvantari, aqui em São Paulo. Lá trabalhei e comecei um estudo avançado, que me levou até à Índia. E é sobre isso que vou relatar um pouco neste post.

Foi uma viagem incrível realizada neste começo de ano, com meu ex-namorado e amigo (na época namorados, claro!). Passamos por alguns perrengues, nem tudo foram flores, mas valeu muito a pena! Cheguei primeiro ao sul, onde o Ayurveda é muito praticado e conhecido, em Poone. Conheci uma boa médica, Dra. Sonali Shinde, amiga de nosso professor, Dr. Luiz Guilherme. Tive a oportunidade de conhecer uma fábrica artesanal de medicamentos ayurvédicos, farmácias e livrarias típicas, onde tudo é acessível, barato e simples. Conversei com a reitora da Tilak Ayurved Mahavidyalaya, onde Dr. Vasant Lad (um verdadeiro vaidya, médico ayurvédico de nossa época) estudou e lecionou por muitos anos. Lá fiquei na casa rep de uns amigos, encontrados pelo CouchSurfing (aliás um meio muito interessante e diferente de conhecer os países e as culturas afora!). Embora Poone seja uma cidade grande, agitada e poluída, me diverti e comecei a entender o que era essa loucura de Índia, que todos comentam e dizem ‘você só vai entender quando chegar!’. De primeira já posso dizer que amei o tão saboroso chai!

Ainda estou processando esse entendimento de algo tão intenso e exótico, assustador e acolhedor, que nos deixa tão à vontade e é tão distante de nossa realidade e costumes brasileiros, e tudo ao mesmo tempo!

Enfim, após Pune, fui à Kanoor, no estado de Kerala, 20 horas em um trem, isso foi um pouco desconfortável e inédito! Lá fazia um calor úmido e sufocante, assustadoramente abafado. Kerala, do sânscrito, significa coco, havia muuuitos coqueiros e tem muita relação com a Bahia nossa de todos os santos, praias magníficas iguais. Lá estudei em uma Escola de Ayurveda e Panchakarma, tendo aulas de alguns tipos de massagens bem antigas, entre elas a Chavrutti e a Kalari Marma. Fiz um curso de Beauty Therapy também, muito interessante que aborda rejuvenescimento com ervas, pós, massagens e técnicas naturais de tonificações corporais. Lá ficamos em um vulgo hotel à beira mar, com uma praia quase deserta e maravilhosa. Os estudantes desse curso eram em sua maioria estrangeiros, de todas as partes do mundo. Haviam estudantes de yoga ou de áreas que não se relacionavam às terapias, mas eles estavam sinceramente envolvidos com essa ciência e dispendiam suas férias para estudar e se tratarem neste instituto, a fim de terem mais calma e força quando voltarem às suas casas. A maioria local é muçulmana, por isso há de se ter cuidado com os trajes de banho e modos, o que nem sempre acontecia…

A próxima parada foi Coimbatore, em Tamil Nadu. A cada nova cidade e estado na Índia, mudam-se as línguas, os dialetos e costumes, terra cheia de diversidades linguísticas e culturais, mas sua língua oficial e mais falada é o hindi. Nós, sem dúvida, só falávamos inglês. Esta cidade é bem urbana e não havia muita coisa a se fazer a não ser estudar. Não era nem mesmo bonita, mas tinha lá seu charme com os engraçados sotaques e trejeitos descobertos por nós desse povo tão característico. E então você pergunta mas que diabos há nesta cidade? Lá existe um curso para estudantes estrangeiros em um hospital escola, Arsha Yoga Vidya Peetam Trust, é um hospital totalmente ayurvédico, que recebe pacientes do mundo inteiro e cidadãos indianos. Ingressei e lá conheci o professor e diretor Dr. Hari Pallathery, que me deu várias aulas de Ayurveda e Panchakarma (terapias de desintoxicação), juntamente com Dr. Vasudevan, renomado vaidya. Aprendia de manhã teorias com alguns professores médicos, e à tarde aulas práticas com terapeutas indianas e técnicas bem diferentes de cura, tendo sua base nas massagens, trouxas medicinais, preparações de medicamentos, rasayanas (‘suplementos’ naturais tônicos e fortificantes), tratamentos específicos para os olhos, ouvidos, dores e entre mil outros. Foi um aprendizado muito rico e diferente, ao mesmo tempo muito rápido e com um gostinho de quero mais, muito mais. No hospital existe um Templo de Dhanvantari e outros deuses, que é o deus da medicina, um dos avatares de Krishna. À noite o povo acende muitas velas e realizam orações e oferendas para os deuses neste templo diariamente, isso faz parte da rotina de seus devotos, eternamente orar e agradecer. No estado de Tamil Nadu não há a possibilidade de estrangeiros estudarem Ayurveda em uma universidade, e o tempo de curso é maior que os outros estados, levando 8 anos; comparados aos 5 anos e meio de outras escolas. Pouquinho né!

Parti para Mysore, e lá visitei uma Universidade de Ayurveda, JSS Ayurvedic Medical University. Nesta nova sede conheci um hospital ayurvédico de 3 andares, bem grande, para ocidental nenhum pôr defeito. Ele havia acabado de ser construído, com um arsenal bem grande de toda a estrutura e profissionais e médicos qualificados necessários. No último ano, os estudantes realizam no hospital seu internato, como aqui. Foi muito incrível ver como funciona e pensar na possibilidade de realizar isto no Brasil também, um dia… Falei com o reitor da universidade e para descobrir como poderia estudar lá, se tornar uma vaidya (já pensou?), doutora em medicina ayurvédica. Depois percebi que não era tão simples quanto pensei…e a burocracia do Brasil juntamente com a da Índia são bem enroladas, duplamente!

Após essa primeira parte da viagem de estudo, fui ser turista na Índia. De lá fui a Bangalore, Jaipur, Pushkar, Rishkesh, Haridwar, Agra, Delhi e por aí vai, de ônibus, trem, avião, carro e só faltou mesmo o camelo e o elefante. Bom, isso já é assunto para outro momento!

Mas não posso deixar de dizer que fiz um pequeno trekking no Nepal, seis dias nas montanhas maravilhosas dos Himalayas. Um pedaço de terra divino, abençoado! E os nepalenses também se revelaram um povo pacífico, educados e acolhedores. Foi uma aventura em ambientes frios e maravilhosos, com direito até a águas termais, quentinhas e naturais, na beira de um rio congelante.

Por enquanto fico por aqui! Feliz por compartilhar este pouquinho da grande viagem em que pude mergulhar e aprender mais sobre um novo país!

Anúncios

a fruta está sempre na semente…

IMG_1877 2a fruta está sempre na semente.

Começo hoje este blog. Com ele compartilho com você um pouco de ayurveda, yoga, terapias milenares, ervas, alimentação ayurvédica, ritmos de vida, viagens, pontos de vista, prevenções simples, experiências ricas, cotidianos paulistanos e mistérios percebidos por mim, Pollyana, que acabo de entrar neste Universo pulsante e virtual. Muito feliz! Sejam muito bem-vindos, escrevam o que acharem interessante…e Namastê (saudação sânscrita) !