ISVARA

ISVARA, como sendo a causa material da criação e causa inteligente do universo.18194830_10213094000009292_5269485227956211256_n

O universo inteiro é visto pelo Vedanta como corpo físico do criador – chamado de Isvara. Os pancamahabhutas (cinco elementos) formam o corpo do criador. Um só corpo (átomos) é o corpo de Isvara, assim isvararupa é a forma universal de Deus. Ele é chamado de Harikesa, cabelos verdes; nilakanthah – pescoço azul; Sahastrapak – mil pés, infinitos; sahastraksah – mil olhos que são todos os olhos; ou quando vemos o céu à noite, as estrelas são os olhos de Isvara.

Ele é contemplado na forma de uma pessoa, para pensarmos que é um ser consciente. Para isso, visualizamos assim para ter disposição adequada. Podemos olhar para o mundo como se de fato ele fosse Isvara, e de fato o é. Nessa contemplação, o meu próprio corpo físico é uma parte de Isvara. Isvara tem esse corpo imenso – virarthi, ou seja, é gordo como Ganesa – é lambodhah: é o universo inteiro, barrigudo, pesado.

Isvara também tem um corpo sutil, que é o corpo sutil total. A capacidade de ver, sentir cheiro, tocar, etc. e abrange os 5 pranas, os 5 órgãos de percepção e os 5 órgãos de ação. A capacidade fisiológica do corpo é sutil e Isvara é este prana total = sutratma: sutra sendo o fio. Ele dá vida a todo ser vivo, ligado a esse fio e dispersamos a energia do prana através do movimento da vida. O prana é a energia que anima tudo. Esse ser sutil total é o corpo sutil de Isvara, que inclui também nossos pensamentos. É todo corpo sutil na forma de tudo o que nos anima e está em um ciclo de vida; que é diferente de nosso corpo sutil (samana, vyana, etc). que está restrito a mim.

Isvara nesta forma é  hinanyagarbha: é o útero dourado, garbha é útero.

Isvara tem também o corpo causal que é mayasakti – o poder primordial da criação, onde estão toda a inteligência, potência e de onde tudo é criado. É ele quem joga as cartas e a mágica. Em mayasakti não há sequencia, nem tempo. Ele contém todos os karmas, tudo o que todos viveram, vive e viverão estão lá. É o criador, aquele que comanda.

Portanto, Isvara tem três corpos, mas se Isvara falasse diria Eu sou este universo todo? Não, ele é distinto do corpo grosso, pois a consciência é distinta do objeto que ela vê. O Eu não é o corpo, que é pesado, nem o corpo sutil, repleto de prana. Quando diz Eu também não está se identificando com o criador capaz de criar tudo.

Assim, consciência de flor é, a flor não é. Se retirarmos as pétalas, onde está a flor? Da mesma forma, a consciência é, o nome e a forma não são nada. São só nomes e formas. No mundo só existe a causa, os efeitos são aparentes. Isvara é a causa de tudo, mas ele é  também livre de tudo. Então quando Isvara diz Eu, ele quer dizer consciência. Simples e pura. O efeito é falso, é mithya, não tem existência própria. Quando digo Eu, é exatamente Isvara, uma identidade perfeita que existe entre os dois, indivíduo e todo, do ponto de vista da realidade. Uma só consciência, refletida em várias mentes. Não há fator de separação entre consciências. Ela é única e é o todo.

Assim, Deus (Isvara) não é um objeto para mim. Tudo existe em mim, e aí está a liberação, chamada de moksa – o ser livre de sofrimento, do nascimento e da morte; do samsara da vida. O que É não deixa de ser, nunca.

Vendo a minha realidade eu posso ser mortal; não morrendo eu posso morrer.

Om tat sat.

Trecho de uma aula do Instituto Visva Vidya, realizada pelo prof. Luciano Giorgio, transcrita por mim.

 

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