Morte que te quero viva

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Qual a importância da Morte para o Desenvolvimento Humano?

O ano está acabando… e assim como tudo começa, temos a ilusão de que termina.

Faz-se necessário integrar esta ideia de fim cotidianamente, que faz parte de um desenvolvimento saudável do ser humano. Freud já em sua época relacionava a morte à ansiedade de castração. Este medo do inevitável, da certeza do fim pertence a todos; porém temos mecanismos de defesa que nos garante conforto e habilidade para poder viver sem precisar pensar neste assunto durante toda a vida, como a negação e o humor.

O medo da morte precisa ser integrado à consciência humana e garante maturidade, se não há, pode causar transtornos mentais.

De acordo com o escritor Herman Hesse, este medo de que feneceremos em breve, ao vermos peixes que morrem em um rio poluído e o fato de nada fazermos contra que supere este fato natural; somente nos esforçando para sermos e criarmos ideias pensamento e arte que nos tornem imortais, já ajuda na tentativa de ter uma estranha imortalidade.

Há uma personificação da Morte como aquela mulher de capa preta e foice que vem nos buscar e causa uma fantasia persecutória nas pessoas. Ela representa algo que merecemos por ações ruins que fizemos ou a representação de pessoas que não gostamos como uma congruência de fatores que não são bons para nós e os concentramos ali. Por outro lado, há um mundo imaginário que criamos que nos reconectará à pessoas já mortas e no qual há harmonia, renovação e reencontros.

Visto por esse viés, a morte pode ser desejada pois trará o encontro com entes queridos perdidos, será uma salvação de sofrimentos vividos em vida, promete novos horizontes e um paraíso celeste.

Uma psiquiatra suíça descreve os estágios de um prognóstico de morte iminente: negar e se isolar; se revoltar; barganhar, ou seja, pedir algo e dar outro algo em troca, fazer algo louvável para depois, sim morrer em paz; se deprimir com um sentimento de perda; aceitar e esperar.

É importante considerar o estagio de vida e as circunstâncias emocionais de cada período bem como as situações em que ocorreram aquela morte, de que tipo foram. É comum haverem comportamentos e lembranças infantis em momentos terminais. É necessário perto da Morte a manisfestação dessas ansiedades e fantasias.

Na tradição védica, a aceitação do fim da vida é um fato inerente ao homem e o que mais se espera, quando tudo o que amamos acaba em seu devido tempo, e apenas se muda a consciência da realidade. Aqui e em qualquer lugar, nada morre, apenas a morte vem como uma desculpa para o corpo, já em desgaste, ir embora; sem tristezas. No lado de cá porém, a sociedade a quer negar, quer empurrá-la para a clandestinidade.

Como cuidadores, em uma sociedade que banaliza e esconde a morte em leitos de hospitais, adiando-a ou abreviando-a; torna-se prudente e de bom tom pensar em como lidar com a angústia, dor e solidão de pacientes terminais, que saibam e sejam conscientes de seu real estado de saúde.

Fechando o ciclo vital de um homem, como diz Erikson, a oposição desespero versus integridade permite acomodar este sentimento e a certeza de que morremos um pouco a cada dia que passa e o que podemos fazer é viver a vida com o desejo de aproveitar tudo o que nos está disponível e é oferecido, lutando por objetivos e prazeres que podem nos livrar deste limitação do tempo, porém com objetiva liberdade na alma.

Om Shanti shanti shanti.

P.

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