O amor e o vazio

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vai que eu sou você.. art: Jarek Puczel

O amor talvez seja a maior força do universo, a conexão que os artistas sentem e expressam e o poetas de todo o tempo pintam e no qual se inspiram, sem falar nos compositores.

O amor permeia tudo e está por trás de cada ato de um ser. Ao acordar uma pessoa só levanta da cama por amor – seja a ela mesma, ao seu trabalho, à comunidade , à família, à vida. Ele é quem nos move sendo a base da nossa mente e coração. As pessoas são capazes de ter atitudes desafiantes e fazer até loucuras por ele.

Pensamos que o contrário do amor é o vazio. Mas vamos pensar melhor…

Se vemos algo negativo em alguém e pensamos – ah, essa pessoa não tem amor no coração; o que tem em seu lugar? Seria espaço..? Acho que não. Se a falta de amor instiga o ódio, a raiva, o medo, os julgamentos, a inveja ou o ciúme; de onde então vêm todos estes sentimentos que nos consomem? Aonde são criados?

Estas impressões dos sentimentos chamados de negativos por nós e as emoções que são desdobradas deles são na verdade saudáveis. Sua interpretação exagerada, com certa camada de ilusão, só vêm por uma incompreensão da ordem do mundo e da falta de apreciarmos que a sua origem é o amor, ao descolarmos esta emoção superficial vemos que é necessário até uma certa dose de amor para a tristeza florir. Toda emoção tem esse amor fundamental. Portanto, eles certamente vêm do amor também.

Assim se alguém está com raiva, significa que é por alguém que ela ama e que, no meio do caminho, por motivos quaisquer de ignorância, inocência ou incapacidade, ao não saber lidar com si mesmo nesta situação, ela se identifica a esta energia da raiva, se irrite e sofra. É um movimento natural, porém sua permanência e intensificação não o são. Por trás de tudo está o amor camuflado que é perene enquanto a raiva é uma emoção passageira e não é definitivamente você, só uma sensação da mente e do corpo provocados.

Há também quem diga que sua religião é o amor ou que Deus é amor – como diz o mantra Baba nam kevalam. O amor pode ser de vários tipos – afetivo em uma relação amorosa como um sentimento a alguém; incondicional aos filhos, animais, ao universo, ou seja ao outro como uma atitude que expressamos; ou o amor à Deus que traz a liberdade para amar.

Já o vazio é uma ilusão. Em se tratando das dualidades, o contrário do amor ou da plenitude não é o vazio. Há um mantra que nos diz: retirando a plenitude da plenitude, só plenitude resta.

O criador do universo, que chamamos de Deus na tradição védica damos vários nomes como Iśvara enquanto aquele que se manifesta; Viśṇo, enquanto aquele que está em todo lugar e tempo; Śiva enquanto aquele que produz o que é bom; Ganeśa enquanto aquele que remove os obstáculos por Ele mesmo colocado; Brahma como sendo o maior. Se dissermos que Deus (a divindade em que está pensando agora) é ilimitado e está em tudo e em todos, não há um lugar em que Ele não se encontre, um lugar reservado como um buraco negro livre de sua influência; portanto o vazio também pertence a Deus que é a própria felicidade, plenitude e amor. O vazio é neste caso cheio e se o amor está no espaço-tempo do universo, o vazio também é pleno de amor.

Quando algum relacionamento se acaba e pensamos que estamos sem um pingo de amor e jogados em um vazio já que tudo fugiu do nosso controle e nos vemos limitados, podemos pensar que nada brotará dali. Se estivermos em luto por alguém levados por Deus injustamente, lembremos que há o amor por trás; seja como uma manifestação, seja como a ordem e o próprio amor de Deus por nós só respondendo às nossas ações; pois ele é a matriz e a própria causa do mundo.

Se Deus está dentro de mim, e eu e o criador não somos separados e somos um, Deus sendo amor, e sendo o próximo (como diria o mestre Jesus) eu serei o amor também e não poderei encontrar o nada, o vazio; somente a plenitude, a felicidade, a devoção e a compaixão que é ānanda.

Esta felicidade pode relaxar nossa personalidade e se depositar na mente do coração – hṛdsthale manaḥ – de quem vive a vida como uma dança com amor e liberdade.

Portanto, a felicidade não pertence à mente, aquela que pensa, que julga e está aliada ao ego; ela está além da mente não sendo uma emoção, e sim nossa própria natureza de amor. Essa natureza não exige uma troca ou um sacrifício, ela se faz em toda relação que temos com o mundo ao rompermos a visão e divisão de que eu sou diferente de você. Oṃ

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